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Sumário

Quanto Custa um Funcionário no Simples Nacional? Tabela 2026

O custo total de um funcionário no Simples Nacional é de aproximadamente 158% do salário base. Um salário de R$ 2.000 custa cerca de R$ 3.163 por mês, incluindo FGTS, 13º, férias e benefícios. A principal vantagem do Simples é a isenção de INSS patronal (20%), SAT/RAT e contribuições ao Sistema S.

O custo de um funcionário em resumo

  • O salário é pouco mais de 60% do custo: o resto são encargos, benefícios e provisões
  • No Simples, o INSS patronal está no DAS (exceto Anexo IV), o que muda a conta
  • FGTS, férias, 13º e rescisão precisam ser provisionados mês a mês
  • Contratar afeta o Fator R e pode reduzir a alíquota
  • Custo real por hora é o que deve entrar no preço de venda

Introdução

A contratação de funcionários é uma etapa importante para o crescimento de qualquer negócio, mas também representa um compromisso financeiro significativo. Para empresas optantes pelo Simples Nacional, é fundamental compreender todos os custos envolvidos na manutenção de um colaborador, que vão muito além do salário nominal acordado.

Este guia apresenta uma visão detalhada sobre os encargos, benefícios e outros custos relacionados à contratação de um funcionário no regime do Simples Nacional, ajudando empreendedores a planejar adequadamente suas finanças e evitar surpresas.

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Composição do Custo de um Funcionário

O custo se divide em quatro blocos: o salário e a remuneração direta, os encargos sociais, os benefícios obrigatórios e opcionais, e os custos operacionais de manter a pessoa trabalhando. O salário costuma ser pouco mais de 60% do total — o restante está espalhado nos outros três, e é onde o planejamento falha:

  1. Salário base e remuneração direta
  2. Encargos sociais e trabalhistas
  3. Benefícios obrigatórios e adicionais
  4. Custos operacionais e administrativos

Vamos analisar cada uma dessas categorias em detalhes.

1. Salário Base e Remuneração Direta

A remuneração direta é a parte visível: salário nominal, adicionais previstos em lei ou convenção — periculosidade, insalubridade, adicional noturno —, horas extras e comissões. É sobre essa base que quase todos os encargos e provisões são calculados, então um adicional aqui se multiplica no total:

  • Salário nominal: valor bruto acordado em contrato
  • Adicionais: quando aplicáveis, como adicional de periculosidade (30%), insalubridade (10%, 20% ou 40% do salário mínimo), adicional noturno (20%)
  • Horas extras: acréscimo de 50% em dias normais e 100% em domingos e feriados
  • Comissões e bonificações: valores variáveis conforme desempenho

2. Encargos Sociais e Trabalhistas no Simples Nacional

As empresas do Simples Nacional possuem algumas vantagens em relação aos encargos sociais quando comparadas a empresas de outros regimes tributários. Os principais encargos são:

2.1. Encargos Mensais

  • FGTS: 8% sobre o salário bruto, conforme a Lei nº 8.036/1990
  • Provisão para 13º salário: 8,33% (equivalente a 1/12 do salário)
  • Provisão para férias: 8,33% (equivalente a 1/12 do salário)
  • Provisão para adicional de 1/3 de férias: 2,78% (equivalente a 1/3 da provisão de férias)
  • Provisão para FGTS sobre 13º e férias: 1,52% (8% sobre as provisões de 13º e férias)

2.2. Encargos Específicos do Simples Nacional

Uma das grandes vantagens do Simples Nacional é a isenção de algumas contribuições que empresas de outros regimes precisam pagar:

  • INSS Patronal: empresas do Simples Nacional estão isentas
  • Contribuições para Terceiros (Sistema S): também há isenção
  • Seguro Acidente de Trabalho (SAT/RAT): isento no Simples Nacional

Esta isenção representa uma economia significativa, já que empresas do Lucro Presumido ou Real pagam cerca de 20% de INSS patronal, além de outras contribuições.

3. Benefícios Obrigatórios e Adicionais

3.1. Benefícios Obrigatórios

  • Vale-transporte: a empresa paga o valor que exceder 6% do salário do funcionário
  • Vale-alimentação/refeição: quando previsto em convenção coletiva (pode ter participação do funcionário)

3.2. Benefícios Adicionais (opcionais)

  • Plano de saúde
  • Plano odontológico
  • Vale-alimentação/refeição (quando não obrigatório)
  • Auxílio-creche
  • Seguro de vida
  • Previdência privada

Os benefícios adicionais, embora representem custos extras, podem ser decisivos para atrair e reter talentos, além de poderem ser deduzidos do imposto em algumas situações específicas.

4. Custos Operacionais e Administrativos

Existem custos que não aparecem em folha e mesmo assim existem: uniforme e equipamento de proteção, exames admissional e periódico, treinamento, recrutamento, posto de trabalho e a própria contabilidade da folha. Individualmente parecem pequenos, mas somados alteram a conta de contratar:

  • Uniformes e EPIs (Equipamentos de Proteção Individual)
  • Treinamentos e capacitação
  • Custos com recrutamento e seleção
  • Exames admissionais, periódicos e demissionais
  • Espaço físico e infraestrutura (mobiliário, computador, etc.)
  • Serviços contábeis para processamento da folha de pagamento

Cálculo do Custo Total de um Funcionário no Simples Nacional

O cálculo abaixo parte de um salário de R$ 2.000 e soma cada componente até chegar ao custo real para a empresa. O resultado costuma surpreender quem orça contratação apenas pelo valor combinado com o candidato — o total fica em torno de 158% do salário:

Encargos Mensais:

ItemBase de CálculoPercentualValor (R$)
Salário Base--2.000,00
FGTS2.000,008%160,00
Provisão 13º2.000,008,33%166,60
Provisão Férias2.000,008,33%166,60
Provisão 1/3 Férias2.000,002,78%55,60
FGTS sobre 13º e Férias2.000,001,52%30,40
Subtotal Encargos579,20

Benefícios:

ItemValor (R$)
Vale-transporte (supondo 22 dias x R$ 12,00 - 6% do salário)144,00
Vale-refeição (supondo R$ 20,00 por dia x 22 dias)440,00
Subtotal Benefícios584,00

Custo Total Mensal:

ItemValor (R$)
Salário Base2.000,00
Encargos579,20
Benefícios584,00
Total3.163,20

Neste exemplo, o custo total mensal do funcionário para a empresa é de R$ 3.163,20, o que representa aproximadamente 158% do salário base. Em outras palavras, para cada R$ 1,00 de salário, a empresa gasta cerca de R$ 1,58 no total.

Comparação: Simples Nacional vs. Outros Regimes

A diferença entre regimes aparece principalmente no INSS patronal — no Simples ele está embutido no DAS, salvo no Anexo IV.

A diferença entre regimes está concentrada na contribuição previdenciária. Empresa do Lucro Presumido ou Real recolhe cerca de 20% de INSS patronal sobre a folha, mais SAT/RAT e contribuições a terceiros. A maior parte dos anexos do Simples é dispensada disso, e é daí que vem a economia:

EncargoSimples NacionalLucro Presumido/Real
FGTS8%8%
INSS PatronalIsento20%
SAT/RATIsento1% a 3%
Sistema SIsento3,3% (média)
Provisões (13º, Férias, etc.)21% (aprox.)21% (aprox.)
Total aproximado29%52,3% a 55,3%

A economia em encargos sociais para empresas do Simples Nacional é significativa, podendo chegar a mais de 20% do salário bruto quando comparado a outros regimes tributários.


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Qual o impacto no fator R?

Para empresas prestadoras de serviço no Simples Nacional, o custo com folha de pagamento influencia diretamente o chamado "Fator R", que pode reduzir a carga tributária da empresa:

  • O Fator R é a relação entre a folha de salários (incluindo encargos) e a receita bruta da empresa nos últimos 12 meses
  • Quando este fator é igual ou superior a 28%, a empresa pode ser tributada pelo Anexo III (mais vantajoso) em vez do Anexo V
  • Portanto, o aumento controlado da folha pode trazer benefícios fiscais adicionais

Dicas para Gestão dos Custos com Funcionários

1. Planejamento Adequado

  • Avalie cuidadosamente a necessidade de contratar versus terceirizar
  • Projete os custos totais antes de efetivar a contratação
  • Considere contratações part-time quando viável

2. Otimização de Benefícios

  • Negocie melhores condições com fornecedores de benefícios
  • Considere modelos de benefícios flexíveis
  • Aproveite programas de incentivo fiscal como PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador)

3. Controle de Horas Extras e Banco de Horas

  • Implemente um sistema eficiente de banco de horas
  • Evite horas extras desnecessárias
  • Distribua adequadamente a carga de trabalho entre a equipe

4. Investimento em Treinamento e Produtividade

  • Funcionários mais produtivos representam melhor retorno sobre o investimento
  • Treinamentos adequados reduzem erros e retrabalho
  • A satisfação do colaborador diminui a rotatividade e os custos com novas contratações

Considerações Finais

Entender o custo real de um funcionário é essencial para uma gestão financeira saudável. No Simples Nacional, apesar de haver vantagens em termos de encargos sociais quando comparado a outros regimes tributários, o custo total ainda é significativamente maior que o salário nominal.

O ideal é sempre realizar um planejamento financeiro detalhado antes de cada contratação, avaliando não apenas o custo imediato, mas também o potencial retorno que esse colaborador trará para a empresa. Um funcionário bem alocado, produtivo e satisfeito pode representar um excelente investimento, mesmo considerando todos os custos envolvidos.

Por fim, é recomendável contar com o apoio de profissionais de contabilidade especializados no Simples Nacional, que poderão orientar sobre as particularidades do regime e auxiliar na tomada de decisões mais acertadas em relação à gestão de pessoas e custos trabalhistas.


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Veja também: Como calcular o DAS no Simples Nacional | Crédito de ICMS no Simples | Custos fixos e variáveis

Conclusão

Contratar custa bem mais que o salário combinado: com encargos, benefícios e provisões, o total gira em torno de 1,5 a 1,6 vez o salário base no Simples Nacional. Ignorar isso é o caminho mais rápido para formar preço abaixo do custo.

Antes de contratar, faça a conta cheia e compare com a receita que a pessoa precisa gerar. E lembre que, em serviços, a folha também mexe no Fator R — às vezes contratar reduz a alíquota do imposto.

Como o Berga ajuda no controle do custo de pessoal

  • Lançamento da folha e dos encargos no financeiro, com centro de custo
  • Provisão de férias, 13º e FGTS visível no fluxo de caixa
  • Relatório de folha sobre receita, que é a base do Fator R
  • Custo por equipe e por projeto, para saber onde o pessoal está alocado
  • Integração com o resultado do período, sem planilha paralela

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Perguntas frequentes

Qual é o custo real de um funcionário no Simples Nacional?

Em torno de 158% do salário base, somando encargos, benefícios e provisões. Um salário de R$ 2.000 fica perto de R$ 3.160 por mês. A variação vem dos benefícios oferecidos e do anexo em que a empresa se enquadra.

O INSS patronal é cobrado no Simples Nacional?

Nos anexos I, II, III e V, a contribuição patronal está incluída no DAS. No Anexo IV, ela é recolhida à parte, sobre a folha — por isso o custo de pessoal nesse anexo é maior.

Contratar aumenta ou diminui meu imposto?

Em serviços, pode diminuir: a folha entra no Fator R, e chegando a 28% da receita a empresa migra do Anexo V para o III, com alíquota menor. É uma conta que vale fazer antes de decidir entre contratar e terceirizar.

Preciso provisionar férias e 13º todo mês?

Sim, se quiser que o caixa reflita a realidade. Sem provisão, o mês do 13º e o das férias viram um susto — e a empresa acaba recorrendo a crédito para pagar algo que era previsível.

Pró-labore entra no custo de pessoal?

Entra, e também conta no Fator R. Ele é a remuneração do sócio que trabalha na empresa, com incidência de INSS e IR, e não se confunde com distribuição de lucros.

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