Tabela de preços: preço diferente por cliente sem se perder
Tabela de preços é um conjunto de preços que vale para um grupo específico — um canal, um perfil de cliente, uma faixa de volume. Ter mais de uma é normal e desejável: o que não funciona é ter preços diferentes sem tabela, negociados caso a caso e guardados na memória do vendedor.
Resumo rápido
- Preço diferente por cliente é legítimo; o problema é ele não estar registrado
- Três critérios cobrem a maioria dos casos: canal, volume e perfil de cliente
- Desconto concedido fora da tabela é o que corrói margem sem aparecer no relatório
- Toda tabela precisa de data de vigência, ou você vende no preço do ano passado
- Preço na tabela é o de lista; o preço da venda é um dado histórico e não muda
Quando faz sentido ter mais de uma tabela
Uma tabela só, para todo mundo, funciona enquanto o negócio é simples. A segunda aparece quando surge um grupo com condição diferente — e ela é melhor do que a alternativa, que é conceder desconto de improviso.
O critério mais usado — e o mais mal resolvido — é o último. Vender a prazo pelo mesmo preço do à vista é conceder desconto sem perceber: o dinheiro que entra em 60 dias vale menos que o de hoje.
O desconto fora da tabela é o que corrói a margem
Empresa com uma tabela e muitos descontos "excepcionais" não tem uma política de preço — tem uma ficção. E o dano é difícil de ver, porque cada desconto isolado parece pequeno.
Uma conta que costuma assustar: num produto com 30% de margem, um desconto de 10% no preço não tira 10% do lucro. Tira um terço:
É por isso que desconto precisa virar tabela — com critério, aprovação e registro. Estratégia de desconto sem regra é redução de margem com outro nome.
Vigência: a tabela sem data é a que envelhece
Tabela sem data de início e fim continua valendo para sempre, e é assim que se vende no custo do ano passado. Quando o fornecedor reajusta e a sua tabela não acompanha, a margem some sem ninguém decidir nada.
O que uma tabela bem definida traz:
- Data de início — a partir de quando ela vale
- Data de fim, quando for promocional ou sazonal
- O que acontece com pedido em aberto na virada — vale a tabela do pedido ou a nova?
A última pergunta parece detalhe e não é: proposta enviada com preço antigo, aceita depois do reajuste, gera atrito. Definir isso antes — normalmente vale a tabela vigente na data da proposta, respeitada a validade dela — resolve.
Preço de lista e preço praticado são coisas diferentes
Esta distinção evita um erro comum de sistema e de planilha: alterar a tabela não pode mudar o preço de uma venda já feita.
- Preço de lista é o da tabela hoje. Muda quando você decide
- Preço praticado é o que foi cobrado naquela venda. É histórico, e é imutável
Se o sistema recalcula vendas antigas quando a tabela muda, o faturamento do mês passado muda sozinho — e nenhum relatório fecha. Por isso a venda guarda o preço no momento em que aconteceu, não uma referência à tabela.
É o mesmo princípio que faz a nota fiscal guardar o valor do item: documento fiscal emitido não se altera.
Como montar a primeira tabela adicional
Se hoje você tem uma só e concede descontos caso a caso, o caminho é curto:
- Levante os descontos concedidos nos últimos meses, por cliente
- Procure o padrão — quase sempre os descontos se agrupam em dois ou três patamares
- Transforme os patamares em tabelas, com o critério explícito de quem entra em cada uma
- Defina quem pode conceder desconto fora delas, e até quanto
- Meça — quanto do faturamento sai por cada tabela
O passo 2 costuma revelar algo desconfortável: descontos que não seguem critério nenhum, concedidos por insistência do cliente. Transformá-los em regra é o que separa política de preço de negociação individual.
Perguntas frequentes
Conclusão
Ter preços diferentes não é problema. Ter preços diferentes sem regra é — porque aí o preço deixa de ser decisão da empresa e passa a ser resultado da negociação, cliente a cliente.
A tabela é o instrumento que transforma desconto em política: define quem entra, quanto paga, até quando vale e quem pode fugir da regra. E a conta que mais convence a organizar isso é a do desconto de 10% em margem de 30% — ele não custa 10%, custa um terço do lucro.
Como o Berga ajuda
- Várias tabelas, cada uma com sua vigência — por canal, volume, perfil ou região
- A tabela certa entra sozinha na venda — vinculada ao cliente, sem o vendedor escolher
- Componentes de custo na formação do preço — o preço nasce do custo real, não de um chute
- Preço praticado fica na venda — mudar a tabela não altera o histórico nem o faturamento fechado
- Proposta com o preço certo — o que foi ofertado é o que vira pedido
Concede desconto caso a caso e não sabe o efeito na margem? Agende uma demonstração e veja as tabelas aplicadas por cliente, com o custo real por trás do preço.
É legal cobrar preços diferentes de clientes diferentes?
É, desde que o critério não seja discriminatório. Diferenciar por volume, canal, prazo de pagamento ou perfil comercial é prática normal e lícita. O que a lei veda é a discriminação por características pessoais do consumidor e a recusa de venda sem justa causa, previstas no Código de Defesa do Consumidor.
Quantas tabelas de preço uma empresa deve ter?
O mínimo que resolva os grupos que realmente existem — normalmente entre duas e cinco. Muitas tabelas viram problema de manutenção: cada reajuste precisa passar por todas, e o vendedor erra qual aplicar. Se duas tabelas têm preços quase iguais, elas provavelmente são uma.
Como reajustar sem perder cliente?
Reajuste anunciado com antecedência e justificado é bem melhor recebido que o silencioso descoberto na nota. Vale diferenciar: cliente de contrato longo costuma ter cláusula de reajuste por índice, e cliente de compra avulsa acompanha o mercado. Reajustar tudo de uma vez, no mesmo percentual, é o caminho mais fácil e o que mais gera atrito.
Tabela de preços precisa ser divulgada ao cliente?
No varejo, o preço tem que estar visível ao consumidor — é exigência do CDC. Entre empresas, a tabela costuma ser comercial e não pública. O que importa é que o preço aplicado seja o combinado: cobrar diferente do que foi apresentado na proposta gera contestação legítima.
Qual a diferença entre tabela de preços e política de preços?
A tabela é o resultado: os números que valem para cada grupo. A política é a regra que gera a tabela — quais critérios, quais margens mínimas, quem pode dar desconto e até quanto. Muita empresa tem tabela e não tem política, e é por isso que o desconto acaba definido no calor da negociação.
Como saber se meu preço está certo?
Preço certo é o que cobre o custo, entrega a margem que o negócio precisa e o mercado aceita. Começa por calcular o preço de venda a partir do custo real, incluindo impostos e despesas variáveis. Depois se confere contra o mercado e contra a margem que você precisa para operar.
Vale ter tabela por região?
Vale quando o custo de servir muda de verdade — frete, imposto interestadual, operação local. Não vale quando é só uma tentativa de cobrar mais de quem tem menos opção: além do risco comercial, o cliente descobre, e hoje descobre rápido.