NCM: O Que É e Como Consultar o Código do Produto [2026]
Para consultar o NCM de um produto, use o Classif, a ferramenta gratuita da Receita Federal no Portal Único Siscomex: busque pela descrição ou pelo código e confira os 8 dígitos. NCM é a Nomenclatura Comum do Mercosul, o código obrigatório em cada item da NF-e que define IPI, substituição tributária e benefícios fiscais.
Resumo rápido
- Consulta oficial e gratuita: Classif (Siscomex) e a TIPI da Receita Federal
- O código tem 8 dígitos: capítulo (2), posição (4), subposição (6), item (7) e subitem (8)
- Na nota, NCM incompleto dá rejeição 777; NCM que não existe na tabela dá rejeição 778
- A tabela muda: em 01/02/2026 cinco códigos foram extintos e treze criados
- O NCM anda junto do CEST, do CFOP e do CST/CSOSN — cada um responde uma pergunta diferente
O que é NCM
NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) é o código de 8 dígitos que classifica qualquer mercadoria vendida, comprada, importada ou exportada no Brasil, na Argentina, no Paraguai e no Uruguai. Os 6 primeiros dígitos vêm do Sistema Harmonizado (SH), usado no mundo inteiro; os 2 últimos são o detalhamento do Mercosul.
Segundo a Receita Federal, a classificação fiscal é o que permite "determinar um único código numérico para uma dada mercadoria". Um produto tem um NCM correto — não dois, e não "o mais parecido".
O NCM é usado em quatro lugares que afetam diretamente o caixa da empresa:
Com a reforma tributária, o NCM também passa a identificar quais produtos têm redução de alíquota de IBS e CBS e quais pagam o Imposto Seletivo.
Onde consultar o NCM: as fontes oficiais
O NCM deve ser consultado em fonte oficial, não em lista de fornecedor ou planilha de terceiros: listas antigas continuam circulando com códigos extintos. As fontes abaixo são públicas e gratuitas.
A TIPI vigente é a do Decreto nº 11.158/2022, atualizada por atos posteriores — o mais recente é o Ato Declaratório Executivo RFB nº 1/2026, que adequou a tabela às mudanças da NCM a partir de 01/02/2026.
Dica de quem revende: o XML da nota de compra traz o NCM que o fornecedor usou. É um bom ponto de partida para conferir no Classif, mas a responsabilidade pela classificação da sua nota é sua — fornecedor também erra.
Como consultar NCM no Classif, passo a passo
O Classif é a ferramenta oficial de consulta de NCM do governo e responde em segundos quando você sabe o que procurar. O caminho mais rápido é este:
- Acesse o Classif no Portal Único Siscomex — não precisa de cadastro nem certificado digital.
- Digite uma palavra da descrição do produto ("camiseta", "parafuso", "shampoo") ou os primeiros dígitos do código, se você já tem um palpite.
- Abra o resultado mais próximo e leia a árvore inteira: capítulo, posição e subposição. A descrição de cada nível precisa servir para o seu produto, não só a do último.
- Confira o subitem de 8 dígitos. Se houver opções como "algodão" e "outras fibras", escolha pela característica real do produto (material, uso, apresentação).
- Leia as notas do capítulo na TIPI. São elas que dizem o que não entra ali — e é aí que a maioria das classificações erradas é descoberta.
- Confirme na TIPI a alíquota de IPI do código escolhido e grave o NCM sem pontuação no cadastro do produto.
Se a busca por palavra trouxer resultados demais, comece pelo capítulo: um produto de plástico está no capítulo 39, uma roupa de malha no 61, uma máquina no 84 ou 85. Restringir o capítulo antes de buscar elimina a maior parte do ruído.
Como ler os 8 dígitos do NCM
O NCM vai do geral para o específico: cada par de dígitos estreita a classificação. Exemplo com a camiseta de algodão, NCM 6109.10.00:
Os seis primeiros dígitos (até a subposição) são do Sistema Harmonizado e valem no mundo todo. O item e o subitem são do Mercosul. Quando o Mercosul não detalha mais, os dois últimos dígitos ficam "00" — isso é normal e não torna o código genérico.
Formato: com pontuação (6109.10.00) é só para leitura. No XML da NF-e o NCM vai sem pontuação, com 8 dígitos (61091000); no DANFE, aparece na coluna "NCM/SH". Códigos de 2, 4 ou 6 dígitos existem na tabela como agrupamentos, mas não servem para a nota.
A tabela tem 21 seções e 96 capítulos. Na base que o Berga mantém atualizada, são 10.522 códigos de 8 dígitos.
Como achar o NCM certo de um produto na prática
Achar o NCM certo é responder, em ordem, três perguntas sobre o produto: do que é feito, para que serve e como é vendido. O nome comercial quase nunca ajuda — "kit churrasco" pode ser faca, tábua ou grelha, cada um com seu código.
A Receita resolve os casos de dúvida pelas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), publicadas na própria TIPI. A primeira delas é a mais usada: vale o texto das posições e das notas de seção e de capítulo — os títulos das seções são só indicativos.
Quando nem assim a dúvida se resolve, existe a consulta formal de classificação fiscal, regulada pela Instrução Normativa RFB nº 2.057/2021. Ela é aberta pelo e-CAC, trata de uma mercadoria por vez e exige que você informe o código que pretende usar e o porquê. A resposta protege a empresa enquanto vigorar.
Exemplos de NCM por tipo de produto
Os códigos abaixo foram conferidos na tabela vigente em outubro de 2026. Use como referência de onde procurar, não como cópia: o subitem certo depende da característica exata do seu produto.
Para ver se o produto tem IPI e quanto, consulte o mesmo código na TIPI — e, para entender o resto da carga, o guia de tributação de produtos.
NCM, CEST, CFOP e CST/CSOSN: o que cada código responde
O NCM é só um dos quatro códigos fiscais de cada item da nota, e confundir os papéis é a origem de boa parte dos erros. Cada código responde a uma pergunta:
O CEST (Código Especificador da Substituição Tributária) foi criado pelo Convênio ICMS 142/2018 e lista, por segmento, as mercadorias sujeitas a ST com o NCM correspondente. Um mesmo NCM pode ter mais de um CEST, conforme a descrição do produto.
Na prática, o NCM é a porta de entrada: é por ele que se descobre se há ST, qual CST/CSOSN usar e qual CFOP de venda aplicar. Se o produto chega com ST na compra, veja como identificar tributação normal ou ST na nota do fornecedor.
Rejeições da SEFAZ ligadas ao NCM
As rejeições de NCM na NF-e acontecem na validação da SEFAZ, antes da autorização: a nota volta e precisa ser corrigida e reenviada. As mensagens abaixo são as que a SEFAZ devolve, com o artigo de solução na base de conhecimento do Berga:
Uma nota rejeitada não consome o número de forma definitiva, mas o número precisa ser reaproveitado na correção ou inutilizado — deixar buraco na sequência gera questionamento da SEFAZ.
O que os dados do Berga mostram sobre NCM
A rejeição 778 é a mais comum das ligadas ao NCM entre as empresas que emitem pelo Berga. Medido em 07/10/2026, na base de produção (dados agregados, sem identificar clientes):
O código da rejeição passou a ser registrado em outubro de 2025, e a primeira 778 apareceu só em 06/02/2026, cinco dias depois da atualização da tabela. Nas notas que ainda guardam o item original, a causa foi NCM digitado fora da tabela oficial (8 notas) ou preenchido com 00000000 (2 notas) — erro de cadastro, não de sistema.
Os 2,3% de produtos sem NCM não são, sozinhos, um problema — boa parte nunca saiu em nota de mercadoria. O risco é o dia em que saem: cada um vira uma nota parada no caixa ou no faturamento.
O que mudou na tabela NCM em 2026
A tabela NCM é alterada por resolução do Gecex (Comitê-Executivo de Gestão da Camex). A mudança de 2026 veio da Resolução Gecex nº 812/2025 e entrou na TIPI pelo Ato Declaratório Executivo RFB nº 1/2026, com efeitos a partir de 01/02/2026. As alíquotas de IPI foram mantidas; mudaram os códigos.
Além dos desdobramentos acima, entraram códigos novos como 2601.12.20 (briquetes de minério de ferro), 3907.29.92 e 8517.71.20 (antenas de estação-base). Ao todo foram 13 códigos criados e 5 extintos.
Produto cadastrado com um dos códigos extintos passa a receber a rejeição 778 na próxima nota, mesmo sem ninguém ter mexido no cadastro. Na base do Berga, 12 produtos ativos ainda apontam para um NCM extinto — o tipo de pendência que só aparece na hora de faturar.
Perguntas frequentes
Conclusão
Consultar NCM é rápido quando se usa a fonte certa: o Classif para encontrar o código pela descrição e a TIPI para conferir as notas do capítulo e a alíquota de IPI. O resto é método — material, função e forma de venda definem o código, não o nome comercial.
Os 8 dígitos vão do capítulo ao subitem, e só o código completo vale na nota. NCM incompleto gera a rejeição 777, código inexistente ou extinto gera a 778, e a tabela muda: a atualização de 01/02/2026 extinguiu cinco códigos e já provocou rejeições em lote nos dias seguintes.
O NCM certo é a base para acertar o restante do item: CEST, CFOP e CST/CSOSN. Acertar uma vez no cadastro evita corrigir em toda nota.
Como o Berga ajuda a acertar o NCM
No Berga, o NCM é validado no cadastro do produto, não na hora da nota — o erro aparece quando ainda é fácil corrigir:
- Busca na tabela vigente: ao digitar o código no cadastro, o Berga mostra só os NCMs ativos — códigos extintos não aparecem como opção
- Cadastro recusa NCM inexistente: um código que não está na tabela oficial não é salvo, o que evita a rejeição 778 na emissão
- Tabela atualizada pela equipe: a mudança de 01/02/2026 já está aplicada, com os 13 códigos novos e os 5 extintos
- Tributação automática por NCM: você vincula NCMs a uma regra fiscal e todo produto com aquele código já sai com CST/CSOSN, CFOP e alíquotas definidos (veja como na base de conhecimento)
- Relatório de itens por NCM: lista os produtos de cada código para revisar o cadastro em lote quando a tabela muda
- Mensagem clara na rejeição: se a SEFAZ devolver 777 ou 778, o Berga mostra o item e o motivo em português, sem precisar ler o XML
A mesma base fiscal alimenta a emissão de NF-e e NFC-e, o caixa e o estoque. Quer ver o cadastro de produtos e a tributação por NCM funcionando com os seus itens? Solicite uma demonstração do Berga →
Onde consultar NCM de graça?
No Classif do Portal Único Siscomex, que não exige cadastro nem certificado, e na TIPI publicada pela Receita Federal. Os dois são oficiais e gratuitos. Sites de terceiros podem ajudar a ter uma ideia, mas o código final deve ser conferido em uma dessas duas fontes.
Como saber o NCM de um produto pela descrição?
Digite uma palavra da descrição no Classif, abra o resultado e leia a árvore inteira — capítulo, posição e subposição — conferindo se cada nível descreve o produto. Depois leia as notas do capítulo na TIPI. Se o produto é de revenda, o NCM no XML da nota de compra é um bom ponto de partida para conferir.
NCM é obrigatório em toda nota fiscal?
Sim, em toda NF-e e NFC-e com mercadoria. Faltando dígitos, a SEFAZ devolve a rejeição 777; com código que não existe, a 778. O valor "00" só é aceito para item de serviço e nota de ajuste — em mercadoria, gera a rejeição 471.
NCM terminado em 00 é genérico?
Não. Os dois zeros finais apenas indicam que o Mercosul não desdobrou aquela subposição — 6109.10.00 é o código completo e correto da camiseta de algodão. Genérico é escolher a subposição "outros" por comodidade quando existe uma específica para o produto.
O que acontece se eu usar NCM errado?
A nota pode ser rejeitada (777, 778, 779 ou 891) ou, pior, ser autorizada com o imposto errado. NCM errado pode mudar o IPI, tirar ou colocar o produto na substituição tributária e afetar o SPED Fiscal. A diferença de imposto é cobrada com multa de ofício, que parte de 75% na legislação federal.
Qual a diferença entre NCM e CEST?
O NCM classifica a mercadoria e tem 8 dígitos. O CEST tem 7 dígitos e identifica a mercadoria dentro do regime de substituição tributária do ICMS, conforme o Convênio ICMS 142/2018. Todo produto tem NCM; só os sujeitos a ST precisam de CEST, e a falta dele gera a rejeição 806.
Quando a tabela NCM é atualizada?
Sem data fixa: a tabela muda por resolução do Gecex/Camex, geralmente acompanhando as revisões do Sistema Harmonizado. A última mudança entrou em vigor em 01/02/2026, com 5 códigos extintos e 13 criados. Vale revisar o cadastro de produtos a cada atualização publicada pela Receita.