CFOP: Tabela Completa com Todos os Códigos e Guia Prático [2026]
CFOP é o código de 4 dígitos que diz qual é a natureza da operação da nota: venda, compra, devolução, transferência, remessa. O primeiro dígito indica de onde vem e para onde vai (dentro do estado, fora do estado ou exterior); os três seguintes, o tipo de operação.
Resumo rápido
- 1xxx/2xxx/3xxx são entradas; 5xxx/6xxx/7xxx são saídas
- O segundo grupo muda com o destino: 5 dentro do estado, 6 para outro estado, 7 para o exterior
- CFOP errado é uma das causas mais comuns de rejeição na SEFAZ e de erro no SPED
- Entrada e saída são espelhos: quem vende com 5102 recebe a devolução com 1202
- O código anda junto com o CST/CSOSN e com o NCM — os três precisam contar a mesma história
São mais de 600 códigos. As tabelas abaixo estão organizadas por tipo de operação para você achar o seu sem varrer a lista inteira.
Como funciona a lógica do CFOP?
Antes de ir para as tabelas, entenda a lógica. O CFOP tem 4 dígitos e cada parte conta um pedaço da história. A relação oficial dos códigos é fixada pelo Convênio SINIEF s/nº de 1970 e alterada por ajustes publicados pelo Confaz — é lá que qualquer código novo aparece primeiro:
Primeiro dígito: direção + geografia
Regra de ouro: entradas são 1, 2 ou 3. Saídas são 5, 6 ou 7. Operações dentro do estado terminam em 1 ou 5. Interestaduais terminam em 2 ou 6.
Três dígitos seguintes: tipo de operação
Exemplo prático: o CFOP 5.102 se lê assim:
- 5 = saída, dentro do estado
- 102 = venda de mercadoria adquirida de terceiros
E o 6.102 é a mesma operação, mas para outro estado (trocou o 5 por 6).
A regra dos espelhos
Muitos CFOPs existem em pares espelhados. Quando você vende com CFOP 5.102, o comprador registra a entrada com CFOP 1.102. Quando você vende interestadual com 6.102, o comprador registra como 2.102.
Essa simetria facilita entender o sistema: se você sabe o CFOP de saída, troque o primeiro dígito para achar o CFOP de entrada correspondente.
💡 No Berga, o CFOP é selecionado automaticamente com base na operação, no estado de destino e na tributação do produto — você não precisa decorar nenhum código.
Tabela de vendas: CFOPs de saída (5xxx e 6xxx)
Estes são os códigos usados quando a empresa emite nota de venda. A escolha depende de duas coisas: se a mercadoria foi fabricada ou comprada para revenda, e se o destino é o mesmo estado ou outro. Trocar 5 por 6 muda apenas a geografia da operação:
Vendas mais comuns
Dica prática:
- Você fabrica o produto? Use x.101
- Você revende o produto (comprou e vendeu)? Use x.102
- É para dentro do estado? Começa com 5
- É para outro estado? Começa com 6
Vendas especiais
Vendas de serviços
Tabela de compras: CFOPs de entrada (1xxx e 2xxx)
Estes são os códigos usados ao escriturar a entrada de uma nota de compra. Eles espelham o CFOP que o fornecedor usou na saída — se ele vendeu com 5.102, a entrada se registra com 1.102. O primeiro dígito muda conforme a mercadoria veio de dentro ou de fora do estado:
Compras mais comuns
Como escolher entre 1.101 e 1.102:
- Vai usar o produto como matéria-prima para fabricar algo? → x.101 (industrialização)
- Vai revender o produto como está? → x.102 (comercialização)
- Vai usar internamente (escritório, limpeza)? → x.556 (uso ou consumo)
Tabela de devoluções
Devolução é o espelho da operação original: anula total ou parcialmente o que foi vendido ou comprado. A regra é usar o CFOP correspondente na direção inversa — quem devolve ao fornecedor emite saída, e quem recebe de volta do cliente escritura entrada. O CFOP da devolução precisa corresponder ao da nota original, ou a operação não fecha na apuração
Devoluções de compra (você devolve ao fornecedor)
Devoluções de venda (seu cliente devolve para você)
Regra prática para devoluções:
- Devolução de compra = saída (5.2xx ou 6.2xx) — o produto sai da sua empresa de volta ao fornecedor
- Devolução de venda = entrada (1.2xx ou 2.2xx) — o produto volta do cliente para você
- Com ST? Adicione 200 ao código base: 5.201 → 5.410, 5.202 → 5.411
Tabela de substituição tributária (x.4xx)
Os CFOPs de substituição tributária ficam na faixa x.4xx e indicam que o ICMS de toda a cadeia já foi recolhido antecipadamente por um contribuinte anterior. Quem vende mercadoria com ST não destaca ICMS de novo — apenas informa que a operação já foi tributada. Errar entre a faixa x.1xx e a x.4xx gera cobrança em duplicidade ou falta de recolhimento.
Saídas com ST (você recolhe ou repassa a ST)
Entradas com ST (você recebe mercadoria com ST)
Transferências com ST
Como saber se precisa usar CFOP de ST? Se o produto está na lista de substituição tributária do seu estado e o CST é 10, 30, 60 ou 70 (ou CSOSN 201, 202, 500), use o CFOP da faixa x.4xx. Veja nosso guia completo sobre como identificar se o produto é tributação normal ou ST na compra.
Tabela de remessas e retornos (x.9xx)
Remessa é a operação em que a mercadoria circula sem mudar de dono: sai para conserto, demonstração, industrialização por terceiro, exposição ou comodato, e depois volta. Por isso os CFOPs vêm em par — um para a saída e outro para o retorno correspondente. Deixar a remessa sem o retorno registrado é o que faz o estoque fiscal divergir do físico.
Remessas (saída temporária)
Os mesmos códigos existem na faixa 6.9xx para operações interestaduais (6.901, 6.904, 6.905, etc.).
Retornos (volta da remessa)
E as entradas correspondentes:
Tabela de transferências (x.1xx da faixa 150)
O CFOP de transferência de mercadorias entre matriz e filial é 5.152 (dentro do mesmo estado) ou 6.152 (entre estados diferentes) para mercadorias de revenda. Para produtos fabricados, use 5.151 (mesmo estado) ou 6.151 (interestadual). Na filial que recebe, os CFOPs de entrada são 1.152 e 2.152 respectivamente.
Transferências são movimentações entre estabelecimentos da mesma empresa (matriz e filiais).
Atenção: transferências entre filiais não são vendas, mas têm incidência de ICMS em alguns estados (especialmente interestaduais). Verifique a legislação do seu estado.
Operações com o exterior (3xxx e 7xxx)
Operação com o exterior tem faixa própria: 3.xxx para o que entra na importação e 7.xxx para o que sai na exportação. Nessas notas o CFOP anda junto com a classificação fiscal da mercadoria, consultável na tabela NCM do Portal Único Siscomex, e com os dados da declaração de importação:
Importação (entrada do exterior - 3xxx)
Exportação (saída para exterior - 7xxx)
Exportação é desonerada: operações com CFOP 7xxx geralmente são isentas de ICMS, IPI, PIS e COFINS (imunidade tributária na exportação).
Os 15 CFOPs mais usados no dia a dia
Na prática, um comércio ou pequena indústria resolve quase todas as notas com um punhado de códigos: venda dentro e fora do estado, compra para revenda, devolução e as operações com substituição tributária. Vale memorizar esses e consultar a tabela apenas nos casos fora da rotina. Os mais frequentes, em ordem de uso:
Como escolher o CFOP certo: passo a passo
Passo 1: Entrada ou saída?
Está emitindo nota fiscal (vendendo, devolvendo ao fornecedor, remetendo)? → Saída (5xxx, 6xxx ou 7xxx)
Está recebendo nota fiscal (comprando, recebendo devolução, recebendo remessa)? → Entrada (1xxx, 2xxx ou 3xxx)
Passo 2: Para onde vai (ou de onde vem)?
Passo 3: Qual é a natureza da operação?
Passo 4: Refine com o tipo específico
Dentro da faixa, escolha o código exato:
Exemplo prático
Você tem um comércio em São Paulo e vai vender uma mercadoria (que comprou de um fornecedor) para um cliente no Paraná:
- Saída → começa com 5 ou 6
- Outro estado (SP → PR) → começa com 6
- Venda de mercadoria → faixa x.1xx
- Mercadoria comprada de terceiro (revenda) → 6.102
Se o produto tiver substituição tributária: 6.403 (ao invés de 6.102).
A conversão automática: intra → inter
Os CFOPs funcionam em pares: o mesmo tipo de operação tem um código para dentro do estado e outro para fora, mudando apenas o primeiro dígito — 5 vira 6 na saída, 1 vira 2 na entrada. Sabendo disso, não é preciso decorar duas tabelas: basta conhecer a operação e trocar o primeiro dígito conforme a UF do destinatário.
A regra é simples: troque o 5 por 6 (ou o 1 por 2 nas entradas). A única exceção comum é o 5.405 que vira 6.404 (não 6.405).
Quais os erros mais comuns e como evitar?
Quase todo erro de CFOP nasce de copiar o código de uma operação parecida sem conferir o destino. Vale a mesma disciplina do resto do cadastro fiscal — ver tributação de produtos.
Usar CFOP de venda em devolução (e vice-versa)
Devolução de compra é saída (5.2xx/6.2xx), não entrada. Devolução de venda é entrada (1.2xx/2.2xx), não saída. Parece contra-intuitivo, mas faz sentido: quando você devolve ao fornecedor, o produto sai da sua empresa.
Esquecer de trocar o primeiro dígito em vendas interestaduais
Vender para outro estado com CFOP 5.102 (intra) ao invés de 6.102 (inter) é um dos erros mais comuns. A SEFAZ pode rejeitar a nota ou gerar inconsistência no SPED.
Usar 5.102 quando deveria ser 5.405 (ST)
Se o produto tem substituição tributária já recolhida, o CFOP de venda deve ser 5.405 (ou 6.404 interestadual), não 5.102. Usar o CFOP errado gera tributação dupla de ICMS.
Confundir compra para revenda com compra para uso
Comprou mercadoria para revender? Use 1.102. Comprou material para usar na empresa (escritório, limpeza)? Use 1.556. A diferença afeta o direito a crédito de ICMS e a escrituração no SPED.
Usar 5.949 para tudo que não sabe classificar
O CFOP 5.949 ("outra saída") é um coringa, mas usar demais levanta bandeira na SEFAZ. Antes de usá-lo, verifique se não existe um CFOP específico para a operação. Reserve o 5.949 para situações realmente atípicas.
Não espelhar CFOP de entrada com o de saída do fornecedor
Se o fornecedor vendeu com CFOP 5.102, sua entrada deve ser 1.102 (não 1.101). Se vendeu com 5.403 (ST), sua entrada é 1.403. A falta de espelhamento gera divergência no cruzamento do SPED Fiscal.
Esses erros desaparecem quando o CFOP é escolhido automaticamente. No Berga, basta registrar a venda — o sistema identifica se é intra ou interestadual, se tem ST, e seleciona o CFOP correto. Sem consultar tabela, sem espelhamento manual. Veja como funciona →
CFOP e regime tributário: o que muda?
O CFOP em si não muda conforme o regime tributário. Uma venda de mercadoria é 5.102 tanto no Simples Nacional quanto no Lucro Presumido ou Lucro Real. O que muda para empresas do Simples é como os tributos são recolhidos — por meio do DAS do Simples Nacional.
O que muda são os campos tributários associados ao CFOP na nota fiscal:
Resumo: o CFOP é universal para todos os regimes. O que diferencia é como o ICMS, PIS e COFINS são calculados e informados junto com aquele CFOP.
Perguntas frequentes
Conclusão
O CFOP parece complexo quando você olha uma tabela com mais de 600 códigos, mas a lógica é simples quando você entende a estrutura:
- Primeiro dígito = direção (entrada/saída) + geografia (estado/interestadual/exterior)
- Três dígitos seguintes = natureza da operação (venda, devolução, ST, remessa)
- CFOPs espelhados = saída 5.102 corresponde a entrada 1.102
Na prática, 90% do seu dia a dia vai usar menos de 15 CFOPs. Comece dominando os básicos (5.102, 6.102, 1.102, 2.102, 5.405) e vá adicionando conforme precisar de operações mais específicas.
O CFOP é parte do "tripé fiscal" da nota junto com o NCM (classificação do produto) e o CST/CSOSN (situação tributária). O mais importante é manter a consistência: o CFOP deve refletir a operação real, ser compatível com o CST/CSOSN do item e espelhar corretamente o CFOP da outra parte da operação. Para empresas do Simples Nacional que vendem com destaque de ICMS, vale entender também como funciona o crédito de ICMS no Simples Nacional.
Como o Berga seleciona o CFOP automaticamente?
Decorar 600+ códigos não é o trabalho de ninguém. No Berga, o CFOP é determinado automaticamente a cada operação — sem consultar tabela, sem decorar código, sem erro humano:
- Seleção automática do CFOP baseada no tipo de operação, estado de destino e regime tributário da empresa — basta registrar a venda e o sistema escolhe entre 5.101, 5.102, 6.101, 6.102 ou o código correto
- Conversão automática intra → inter: se o cliente é de outro estado, o Berga troca o 5 por 6 (ou 1 por 2) automaticamente, sem você precisar pensar nisso
- Detecção de substituição tributária: se o produto tem ST, o sistema usa 5.405/6.404 ao invés de 5.102/6.102, com o CST/CSOSN correspondente
- Espelhamento automático na entrada: ao importar o XML de compra, o CFOP de entrada é gerado espelhando o CFOP de saída do fornecedor
- Validação antes da transmissão: se o CFOP não é compatível com o CST, o estado de destino ou a operação, o sistema alerta antes de enviar para a SEFAZ
- 619 CFOPs catalogados com descrição, natureza da operação, CST/CSOSN padrão e regras de conversão — a mesma base de dados que você consultou neste artigo
No Berga, você não escolhe CFOP — o sistema escolhe por você. Cadastre o produto uma vez, registre a venda e a nota fiscal sai com o CFOP correto, o CST/CSOSN compatível e a tributação calculada automaticamente. Se o destino mudar de São Paulo para Paraná, o CFOP se ajusta sozinho. Se o produto tiver ST, o código muda sozinho. Pare de consultar tabela de CFOP — solicite uma demonstração do Berga →
Qual a diferença entre CFOP 5.101 e 5.102?
O 5.101 é para venda de produto que você fabricou (indústria). O 5.102 é para venda de produto que você comprou e está revendendo (comércio). Se você compra matéria-prima, transforma em produto acabado e vende, é 5.101. Se compra pronto e revende, é 5.102.
Posso usar qualquer CFOP na minha nota fiscal?
Não. O CFOP precisa refletir corretamente a natureza da operação. Usar CFOP errado pode causar rejeição na SEFAZ, multas e inconsistências no SPED Fiscal. Além disso, o CFOP deve ser compatível com o CST/CSOSN informado.
O que é CFOP 5.949?
É o código genérico para "outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificada". Use quando a operação não se encaixa em nenhum CFOP específico. Mas cuidado: uso excessivo pode gerar fiscalização. Sempre prefira um CFOP específico quando existir.
Como saber o CFOP de entrada a partir do CFOP de venda do fornecedor?
Troque o primeiro dígito: 5 vira 1 (mesmo estado) e 6 vira 2 (interestadual). Mantenha os 3 dígitos finais. Exemplo: fornecedor vendeu com 5.102, sua entrada é 1.102. Vendeu com 6.403, sua entrada é 2.403.
CFOP é obrigatório na nota fiscal?
Sim. O CFOP é um campo obrigatório em toda NFe e NFCe. A ausência do CFOP causa rejeição na SEFAZ. Cada item da nota deve ter seu próprio CFOP — itens diferentes na mesma nota podem ter CFOPs diferentes.
Qual CFOP usar para venda com substituição tributária?
Depende da situação. Se você está recolhendo a ST (indústria/atacado): use 5.401 (produção) ou 5.403 (revenda). Se a ST já foi recolhida antes e você só revende: use 5.405. Para operações interestaduais, use 6.401, 6.403 ou 6.404 respectivamente.
Qual CFOP usar para devolução?
Para devolver ao fornecedor: 5.201 (industrialização), 5.202 (comercialização), 5.410/5.411 (com ST). Para receber devolução do cliente: 1.201 (produção), 1.202 (revenda). Para interestadual, troque 5 por 6 e 1 por 2.
Qual CFOP usar para brinde ou bonificação?
Use 5.910 (dentro do estado) ou 6.910 (interestadual) para bonificações comerciais. Para amostra grátis, use 5.911 ou 6.911. A tributação de bonificação varia por estado — alguns tributam ICMS, outros não.